O Que é Cibercultura? Uberização e UX Design

O que é Cibercultura? É a nova cultura criada, ou o modo de viver que adotamos com a vinda da informatização e tecnologia.

Como a tecnologia está afetando a nossa vida e a nossa relação com o trabalho? Home Office, Everywhere Office, Uberização, User Experience (UX), RPA, Data Driven, self-service data são termos novos para você? Leia mais abaixo!

“Uma coisa é certa: vivemos hoje em uma destas épocas limítrofes na qual toda a antiga ordem das representações e dos saberes oscila para dar lugar a imaginários, modos de conhecimento e estilos de regulação social ainda pouco estabilizados. Vivemos um destes raros momentos em que, a partir de uma nova configuração técnica, quer dizer, de uma nova relação com o cosmos, um novo estilo de humanidade é inventado.”

Pierre Lévy, Cibercultura (p.17)

Com a invenção da escrita o conhecimento começou a ser transmitido de forma mais rápida. Essa velocidade aumentou significativamente com a invenção da impressora e os tipos móveis europeus por Gutenberg.

A impressão acelerou a transmissão e a globalização do conhecimento, que agora pode ser traduzido e impresso em outras línguas bem como ser difundido por todo o mundo.

A informática revolucionou novamente a forma de processar e transmitir informações com mais rapidez e confiabilidade em um novo meio de comunicação: a internet, também chamada de “ciberespaço”.

Pierre Levy e a Cibercultura

O escritor francês Pierre Lévy é filósofo, sociólogo e pesquisador em ciência da informação e da comunicação e estuda o impacto da Internet na sociedade, as humanidades digitais e o virtual.

O autor define “ciberespaço” como “o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial de computadores”. O ciberespaço proporciona, coletivamente, diferentes formas de se comunicar e apresenta potencialidades positivas que devem ser compreendidas visto que alteraram a ecologia de signos com grande impacto na vida social e cultural.

Segundo o autor essa nova condição não terá fim e deve ser entendida e dominada. (LÉVY, 1999, p.17)

A essa mudança cultural decorrente do uso do ciberespaço, designa-se o neologismo “Cibercultura” como:

“conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”.

Pierre Levy, Cibercultura (1999, p.17)

A cibercultura surgiu como resposta do ser humano ao “dilúvio informacional”. O homem mudou suas atitudes, modos de pensamento e de valores. As telecomunicações implicam “o reconhecimento do outro, a aceitação e ajuda mútuas, a cooperação, a associação, a negociação, […]” e diminuem o distanciamento geográfico.

As telecomunicações “estendem de uma ponta à outra do mundo as possibilidade de contato amigável, de transações contratuais, de transmissões do saber, de trocas de conhecimentos, de descoberta pacífica das diferenças”

Pierre Levy, Cibercultura (1999, p.14)

Home Office Everywhere Office

O Home Office tem sido amplamente empregado, sobretudo nas empresas mais jovens como startups, ecommerces, software houses e agencias de publicidade.

Empresas mais tradicionais, porém abertas à inovação, vêm na prática vantagens competitivas na aquisição e retenção de talentos. A economia financeira ocorre dos dois lados: a empresa consome menos recursos de infraestrutura, diminui a ocupação dos prédios administrativos, estacionamentos, refeitórios. O colaborador por sua vez, reduz custos fixos com transporte e alimentação.

A conexão rápida com a internet já é onipresente na maioria das casas e não representa mais um empecilho para a prática. Até locais públicos já fornecem conexões e ambiente propício ao trabalho: everywhere office (escritório ou trabalho em qualquer lugar).

A flexibilização de horários permite passar mais tempo com a família, organizar melhor compromissos pessoais e aumentar a prática de exercícios.

Paradoxalmente há um ganho de produtividade expressivo pois o indivíduo sente confiança por parte do empregador e passa a ser avaliado pela qualidade e cumprimento do prazo das entregas. Além disso há menos interrupções, redução de reuniões desnecessárias e consequentemente maior foco nas tarefas.

Experiência

A valorização da experiência, em lugar da posse tem sido abordada em vários contextos. Minimalismo, a felicidade da organização de Marie Kondo, bullet journal – tudo visa repensar a relação com o ambiente, a volta ao analógico, a nostalgia e o desapego de coisas materiais. Ser é melhor do que ter. Sentir é ainda mais importante do que ser.

O marketing das grandes empresas se apoia na psicologia e na neurociência para atingir o público alvo. A Starbucks não vende café, vende experiências! Uma propaganda recente de máquinas de lavar, fala que está vendendo “máquinas de cuidar”.

Na contramão, falamos de inteligência artificial, RPA e automatização de processos.

Não podemos negar essas mudanças e entende-las permite um convívio mais harmonioso e reduz o conflito de gerações. O livro “As Tecnologias da Inteligência” aborda com maior profundidade como utilizar estas ferramentas.

Você está acompanhando a mudança de pensamentos e comportamentos advindos da Cibercultura nas organizações?

O cúmulo da cegueira é atingido quando as antigas técnicas são declaradas culturais e impregnadas de valores, enquanto as novas são denunciadas como bárbaras e contrárias à vida. Alguém que condena a informática não pensaria nunca em criticar a impressão e menos ainda a escrita.

Pierre Lévy, Cibercultura (1999, p.15)

Veja o artigo A cibercultura e a educação que escrevi como monografia em 2011. Lá destaco os pontos positivos e negativos no uso de ferramentas tecnológicas na educação.

RPA O Que É Esta Sigla? Como Funciona?

RPA o que é esta sigla? RPA significado de Robotic Process Autommation, é uma tecnologia que transforma processos lentos e manuais em atividades extremamente rápidas e automáticas. 

Gigantes da tecnologia como a SAP já estão criando soluções integradas aos seus sistemas. NO Office 365 já é possível automatizar tarefas no Microsoft Flow.

Como funciona um RPA?

Normalmente, há um primeiro mapeamento de processo por um analista de negócios. Neste momento, ele identifica “atividades braçais”, repetitivas, com pouca ou nenhuma decisão envolvida.

Em seguida, são mapeados os sistemas envolvidos, tipos de acesso, usuários, perfis, funções, forma de autenticação na ferramenta. Isso permite configurar o robô para simular um acesso humano.

Depois, são listados todos os passos em sequência de execução. Aqui, também são verificadas as exceções que podem ocorrer e como tratar cada possibilidade. Em programação chamamos isso de algoritimo.

Testes de integridade dos dados podem ser necessários.

O RPA autônomo utiliza inteligência artificial para tomar decisões sozinho e até a aprender novos fluxos.

Riscos em RPA

A execução automática de um erro que era cometido esporadicamente de forma manual pode aumentar exponencialmente um problema.

Se o processo está um caos, não adianta automatizar o caos. Dê um passo atrás, faça um mapeamento de processo, identifique atividades desnecessárias, duplicadas, e revise os controles.

Certamente é um tema novo na auditoria de tecnologia.

RPA no GRC

Governança, Riscos e Compliance podem aproveitar o potencial dos robôs e substituir atividades repetitivas como consultas de due dilligence, busca de informações para apurações de denúncias de ética e conduta, testes de controles, auditoria interna, auditoria contínua, preenchimento de cadastros, envio automatico de e-mails, geração de relatórios e etc..

A Harvard Business Review publicou um artigo em inglês, intitulado: “Você está desenvolvendo habilidades que não serão automatizadas?”. Gurus falam que algumas profissões irão acabar? O que você pensa sobre o futuro da Auditoria Interna, Riscos e Compliance? Comente a respeito!